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Otimismo em campo
Felipe Poleti
16/07/2018 07h29
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(Claudinho Coradini/JP)
 
Responsável por ajudar a revelar algumas das jovens promessas do futebol nacional, como Maikon Leite e Pará, e internacional, como o meio-campo da seleção japonesa Keisuke Honda, José Herbert de Jesus Fahel Junior, de 54 anos de idade — mais conhecido como Fahel Junior —, chega para comandar o Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba motivado, com fome de títulos e disposto a desvendar novas “joias do futebol” no município. Foi isso o que disse nesta entrevista para o Jornal de Piracicaba. Confira, abaixo, os melhores trechos da conversa com a equipe de reportagem.
 
Quais foram seus caminhos até se tornar um treinador de futebol?
O futebol sempre esteve no meu sangue. Como atleta, comecei nas categorias de base do São Paulo, como goleiro, onde tive minha formação por quase três anos. Depois, passei meu último ano de juniores, como era chamado nossa categoria na época, no Corinthians. A partir daí, comecei a peregrinar por alguns times do interior de São Paulo e até em outros estados quando, em 1991, sai do Vila Nova (GO) após receber uma proposta para ir ao futebol japonês para ser jogador. Me lembro que, na época, o Japão não tinha futebol profissional, era amador, não havia ainda uma liga profissional, elas começaram em 1994. Neste período, comecei a trabalhar numa empresa onde também jogava e ensinava e foi quando tomei gosto pela parte técnica. A partir disso, eu segui meu trabalho, mas fora do expediente eu treinava as equipes menores e jogava à noite como atleta para a empresa que eu trabalhava. Depois de algum tempo, parei de trabalhar na empresa e de jogar para me dedicar somente aos treinamentos, na parte técnica e tática em algumas equipes.
 
Quando você começou efetivamente a se dedicar somente à função de técnico?
Fui para o Japão em 1991 como jogador, mas em meados de 1994 passei a ser somente técnico. em 1995, fui contratado por um colégio japonês para ser auxiliar e depois subi para o cargo de treinador. Lá no Japão, os colégios funcionam como as categorias de base das equipes profissionais. Quando começou a liga de 1994, os melhores jogadores vinham dos colégios. Recentemente, dei uma entrevista a um canal esportivo de televisão paga para falar sobre o jogador do Japão e que esteve na Copa do Mundo da Rússia, que é o Keisuke Honda. Foi meu jogador na base no colégio que eu era treinador. em resumo, sempre foi destes colégios que saem atletas das equipes profissionais e olímpicas. Trabalhei oito anos no colégio Maebashi Ikuei (Estado de Gunma), depois mais três anos no Seyryo Gakuin (Estado de Ishikawa), lugar em que descobrimos o Honda. Fiquei também um período em Hokuetsu Koko (Estado de Niigata) e depois trabalhei na liga profissional pelo Albirex Niigata (Hokushentsu Club), mesma liga onde joga hoje o ex-goleiro do Flamengo, Muralha. em todos os clubes que passei como técnico ou jogador, conquistei vários títulos. Depois de 15 anos no Japão, resolvi voltar para o Brasil.
 
E como você conseguiu espaço entre os técnicos brasileiros?
 
Para abrir mais espaço como treinador, resolvi começar a atuar em times de base, como São Caetano, em 2006, onde chegamos na final do campeonato paulista sub-17. em 2007, recebi o convite para ir ao Santo André, ser auxiliar técnico do time profissional. Cheguei a ser técnico interino do clube na época e eu, como interino, ‘fui ficando’ até a Série B do Campeonato Brasileiro daquele ano, quando livrei o time do rebaixamento. em 2008, fui Campeão Paulista da Série A2 com o Santo André. Iniciei a série B — no ano em que o time conseguiu acesso a Série A — mas no meio da competição fui para o Ituano, na época dirigido pela Traffic, onde segui na disputa da Série B. Minha carreira começou assim, pelo interior de São Paulo, onde sou mais conhecido e ganhei mais títulos, o principal deles o campeão com o Santo André, mas passei também pelo Botafogo de Ribeirão Preto, pelo menos três passagens pelo Rio Claro, voltei ao Santo André, fui para o Sul do país. Agora, antes vir para o XV, estava no Rio Claro, onde disputei a Série A2, jogamos aqui no Barão contra o XV. Lá, fizemos uma boa campanha pelo orçamento que nos foi dado, formamos um equipe bem jovem, com jogadores que hoje já estão jogando em equipes importantes do futebol brasileiro.
 
 
O que significou para você receber a proposta de dirigir o XV?
 
Um profissional como eu receber uma proposta do XV é muito prazeroso, primeiro porque você vence uma concorrência grande, já que não era somente meu nome que estava sendo sondado pela diretoria do clube para ser o comandante do time. Vencer essa concorrência para mim foi muito bom. Trabalhar no XV é motivo de orgulho. Isso mostra também a força do XV e dos profissionais gabaritados que querem trabalhar aqui. Todos sabem que aqui temos um clube organizado, uma cidade onde a torcida cobra muito, é apaixonada pelo seu time, uma imprensa exigente. Este clube está em uma divisão que não é a dele. Não é só caso de procurar uma divisão acima dessa. O XV deveria estar já em divisões nacionais, jogando pelo menos uma Série B do Brasileiro, idêntico como foi a história recente do São Bento. Pode acontecer isso aqui também, o clube tem estrutura, torcida apaixonada, uma cobrança muito grande. O XV tem que montar equipes fortes, boas, mas todos sabemos das dificuldades financeiras de todos os clubes do interior.
 
Como pensou o XV para que ele tenha uma boa equipe nas próximas competições?
 
Começando pela Copa Paulista, que é um torneio deficitário, onde não é só o XV que passa por dificuldade financeira, quase que todas as equipes sofrem com isso, de Série A1 e A2, a gente sabe que não temos o mesmo respaldo da Federação Paulista de Futebol como se tem em campeonatos estaduais. Dentro desta situação, vamos montar uma equipe jovem junto com a parceria que o XV colocou para nos ajudar. Teremos jogadores bons, talentosos, mas serão jogadores novos. É interessante que a gente entre já na competição sempre almejando este título, ao mesmo tempo que almejamos montar uma boa estrutura para uma Série A2 do Paulista, que é o interesse maior do clube em buscar o acesso à elite da competição estadual. A Copa Paulista é boa para buscarmos o acesso a uma Série D do Brasileiro ou uma Copa do Brasil. A gente sabe que o investimento é bem menor para o estadual, mas acredito muito na parceria que foi feita, nos garotos que estão vindo. O que posso dar de mais eficiente é meu trabalho, meu conhecimento, minha experiência nos trabalhos que serão realizados aqui e levar para o campo essa juventude e espero que eles correspondam ao nosso chamado.
 
O que você acredita que pode acrescentar de diferente para este novo trabalho do XV?
 
Acredito que de diferente não tenho muito mais a trazer. Eu estudei bastante, tenho licença da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para ser técnico, pretendo fazer agora em dezembro a minha licença PRO. Tenho experiência para trabalhar com jovens, como já trabalhei muito tempo com isso lá no Japão. As equipes que formei aqui no Estado de São Paulo, tanto no Rio Claro como no Santo André, no Brasil de Pelotas (RS), e em outras equipes que trabalhei, sempre tivemos o foco nos jovens, na base. É importante a gente olhar para a base já que o futebol está muito precoce e temos que dar a oportunidade a estes garotos. O Santos faz um bom uso desse trabalho, como no caso do Rodrigo, garoto de apenas 17 anos. Além dele, outros jovens talentos, como o Bruno Henrique, estão despontando. Jogadores jovens do Santos, do São Paulo, são sempre lançados ao profissional. Às vezes, a gente fica muito preocupado em trazer jogadores mais experientes, famosos, badalados em outros Estados, jogadores rodados e que às vezes o próprio clube tem, mas não vê os garotos que esperam uma oportunidade como esta, em uma Copa Paulista, onde não há risco de descenso, já que o objetivo principal mesmo é buscar uma vaga a Série D ou Copa do Brasil. Agora é a oportunidade que temos de mesclar a equipe, ter experiência e juventude, diferente de competições anteriores. Não que teremos só jovens aqui, vamos ter a experiência também, mas não com jogadores em final de carreira.
 
O que você espera da base do XV?
 
Estamos fazendo treinamento com as categorias mais novas, com o sub-20 e sub-17, vamos preparar alguns coletivos e jogos entre profissional e a base para observar também. Fiz isso em muitos clubes que eu passei e alguns jogadores já estão em times de ponta do nosso futebol. Quando estava no Santo André, tirei um jogador que era reserva do sub-20, subi ele profissional, foi meu titular e vingou que é o Maikon Leite. Sempre vai ter um jogador que te interessa, ai você sobe ele para ver os resultados. É importante lembrar que cada treinador tem seu jeito de montar a equipe e garimpar talentos, o técnico coloca em campo aquilo que ele acha que tem de melhor. Naquela época, o treinador do Maikon deixou ele na reserva porque tinha outros planos e achava que o outro era melhor. Ao meu olhar, vi que ele me serviria bem naquela época, mas teve outros jogadores que revelamos, como o Willian, o Pará, o zagueiros Douglas, o goleiro Neneca. Vários jogadores saíram daquele time que comandei. O Maikon me chamou mais a atenção porque eu o tirei da reserva da base e o levei ao titular do profissional, após um coletivo que fiz no sub-20.
 
Com todo este Otimismo e fome por títulos, a torcida do XV pode esperar por uma boa campanha?
 
Eu estou, sim, muito motivado, com fome de vencer competições, feliz por estar no XV que é uma equipe tradicional. O que eu percebi aqui é que os nossos garotos estão com mais fome ainda que eu. Eles querem mostrar serviço, querem seu lugar ao sol e sabem que o futebol muda sempre. É uma questão de um ou dois jogos para eles despontarem. Assim como aconteceu com o menino do Flamengo (RJ), o Rodrigo, que está indo ao Real Madrid com apenas 17 anos. Outro exemplo disso foi o Gabriel Jesus, que em 2014 pintava a rua da sua casa para torcer para o Brasil e é titular da seleção na Copa. O futebol pode mudar muito a vida do atleta em pouco tempo, não só dele, da família, dos amigos também. O futebol é um dos únicos esportes coletivos do mundo que propicia isso. O início de trabalho sempre é difícil. A equipe é totalmente diferente da que jogou a Série A2, era um time experiente, time já rodado. Na Copa Paulista não será assim, teremos um grupo mais jovem, com uma média de idade de 22 anos, praticamente um sub-23, mas acredito muito no clube e nessa equipe que estamos montando. Para ficar experiente tem que jogar e é isso que vamos fazer. Todos terão oportunidade de mostrar que merecem este lugar ao sol.
 
O que você espera da torcida do XV para este início de trabalho?
 
Para esta Copa Paulista, espero que a torcida cobre e incentive o time, já que a força da arquibancada é essencial para o sucesso dentro da competição e também no rendimento dentro de campo. Mas espero também que os torcedores entendam que o trabalho é novo, que temos menos de 30 dias para organizar o grupo para a estreia contra o Red Bull, uma equipe formada, que já vem treinando há muito tempo, com base de Série A1, tem contratado jogadores renomados, apesar disso não representa muita coisa se tivermos um time à altura técnica e fisicamente. Precisamos apresentar um bom futebol, organizado, com intensidade, organização tática e defensiva, com transições. Espero que a torcida apoie e tenha paciência justamente para que a torcida cresça junto com a equipe e que a equipe corresponda a isso. É com esse apoio que nossa ‘gurizada’ quer se apresentar e mostrar um bom futebol. Estamos muito motivados.
 
No período que você trabalhou no Japão, como foi sua adaptação e qual a principal diferença entre os dois países?
 
Quando a gente muda de país é um desafio, ainda mais para mim, que tinha apenas 27 anos naquela época. A língua foi uma barreira grande. Quando eu saí do Brasil e fui para lá, muita gente também partia com o objetivo de mudar de vida e buscar algo novo. Abri mão de muita coisa para me adaptar ao país, aprender o japonês. Deixei de viver com muitos brasileiros para conviver com os japoneses para ter essa adaptação, inclusive com a comida deles. Hoje, posso dizer que, depois de dez anos do regresso ao Brasil, me sinto com um pouquinho do Japão dentro de mim. Sou meio brasileiro e meio japonês, no quesito de coração. Recentemente, tive tempo de ver aos jogos da seleção japonesa na Copa, se classificaram, fiquei muito feliz com isso, com a evolução do futebol deles. Eu devo muito da minha carreira profissional ao Japão, os estudos, a educação, a fidelidade. É um país que eu admiro muito. Fico feliz, também, por ver um dos meus jogadores brilhar na seleção do país dele, o Honda. Ele era muito dedicado aos treinos, tinha muito talento e sonhos, assim como vários outros garotos. Conheci ele com 15 anos de idade e trabalhei com ele até os 18 anos, onde tive participação, indiretamente, para que fosse ao Nagoya Grampus, que era dirigido pelo técnico Nelsinho, que treinou ele profissionalmente. Estive em Nagoya na época, conversando com o Nelsinho sobre o Honda e outro jogador do meu time que também foi para lá, conhecido como Toyota. O Honda, que era um meia, e o Toyota, que era o centroavante, foram os dois para o time do Nelsinho. Eu incentivei eles a irem ao Grampus porque o treinador era um amigo brasileiro. Eles foram e depois ascenderam no futebol, o Honda com mais destaque, inclusive na Europa, pelo Milan (Itália) e hoje está no México. Meu maior orgulho é ligar para ele e ele me atender e lembrar do seu ex-técnico o “Faeru”, como eles me chamavam. Tenho muito orgulho de ter dirigido ele.
 
Já conhece Piracicaba? O que espera da cidade?
 
A cidade em si conheço pouco, mas sei que ela é de grande importância para o Estado de São Paulo, não só pelo XV, mas pela sua economia e qualidade de vida. Não conheço muita coisa ainda, mas espero conhecer sim. Já me falaram da ‘bela’ cidade de Piracicaba, seus pontos turísticos, do rio, do povo acolhedor que é. Tenho um carinho muito grande pelo interior e agora esta cidade é mais uma que vem para conquistar meu coração. Quero conhecer mais e me familiarizar com a cidade, fazer mais amizades, sou bem aberto a conversas, ao torcedor, à imprensa e isso também cobro dos jogadores. O que me falaram muito foi da Rua do Porto, ainda não fui, mas não vejo a hora do conhecer, experimentar os peixes dos restaurantes de lá, a comida boa que muitos vêm de longe para provar. Tenho três filhas e espero que elas venham para cá e que juntos possamos desfrutar deste belo ponto turístico da cidade.
 
 
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