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Pensamentos de vida formulados
David Chagas
23/07/2018 09h02
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O Espírito de Deus, ensina o poeta, voltou a mover-se sobre as águas. Onipotente como sabe ser e onipresente como é, convidou Antonio Vitti a reencontrar-se com Thereza, no sábado, 14 de julho. Encontro de luz. Reencontro de amor. Paz. 
 
Uma noite, em casa deles, junto a um delicioso caldo preparado por ela, trocávamos conversas, e Thereza, como de costume, ao menos comigo e com Ivanira Bohn Prado, a poetisa, passou a falar de Literatura e trouxe ao convívio, Machado de Assis, pedindo que contássemos mais e mais a respeito do bruxo do Cosme Velho. Ivanira contou que deixara exemplares de uma de suas muitas coleções de obras do célebre escritor, num restaurante delicioso de Rio Claro, Capitu, propriedade de ex-alunos nossos. E Thereza, hoje entendo o porquê, passou a celebrar Carolina Augusta Xavier de Novaes, a esposa de Machado.
 
Antônio, elegante, quase calado, discreto, reservado ao extremo, ouvia com respeito e dirigia à esposa olhar único de cumplicidade, semelhante ao da foto que os jornais da cidade estampam para a recitação da missa que, dois meses depois do passamento dela, revela seu reencontro com Antonio, que nem pode trazer-lhe flores “restos arrancados/ da terra que lhes viu passar unidos/ e ora mortos os deixa separados”. Deus, reconhecendo o desencanto de Antonio os chamou para o reencontro para que, então, com “seus olhos malferidos” pudesse trazer “pensamentos de vida formulados,/ pensamentos idos e vividos” num só instante de celebração.
 
Antonino que era, elegante e humano no trato, divergia de outros tantos empresários na evidência de sua relação com Deus e com Cristo. Parecia tratar a todos com igual senso de respeito, entendendo saber do ensinamento a ser cumprido.
 
Thereza sempre fora assim. Conheci esta bela mulher ainda menino. Próximo de Regina, de seus pais e de Washington, seu irmão. Crescemos ali, nas beiradas do jardim da Santa Cruz, ela, à nossa frente, no tempo e na escola. Jamais conheci, dos casais que vi casarem-se, alguém que, como Antonio e ela, entregasse um ao outro, o coração de companheiro. Havia amor, respeito, serena devoção. 
 
Era nítido o pulsar “daquele afeto verdadeiro/ que, a despeito de toda humana lida,/ fez a existência apetecida/ e num recanto pôs um mundo inteiro”. Sua casa era o mundo em que guardavam o relacionamento de vida bordado sempre com igual carinho, igual cortesia, profunda união. O espaço em que mais estavam, era o recanto escolhido para preservar o mundo, o seu mundo.
 
Neste alongar assuntos, naquela noite, acabei falando de Antonio, o Santo, e de seus sermões a caminho de Pádua. Repito, agora, neste sábado que me causou estranheza à alma, quando Antonio se juntou à Thereza para contar a Deus, recitando o poeta Manuel Bandeira, a primeira vez que a viu quando o amor fez sentir o Espírito de Deus contendo as águas para mover-se sobre a face da terra.
 
No seu jeito sóbrio, entendi que repensava a afirmação do Santo: “Vinde à parte, para longe da multidão, vinde a um lugar apartado, que outro não é senão a solidão interior, para o descanso da mente e do corpo”. Um pouco, só um pouco como diz o Apocalipse, buscando o silêncio do céu por mais ou menos uma meia hora, até que, em definitivo, a Luz absorva o espírito, não mais por trintas minutos, mas pela eternidade.
 
P.S.: (Maria Thereza Ramos Vitti, a quem escrevi bilhete há um mês, entremeando versos de Bandeira, é mãe de Antonio Cláudio e Fábio Ramos Vitti. No último dia 14, menos de dois meses depois de sua despedida, chamou para prosseguir a seu lado, Antonio Vitti, que, com seus dois filhos, sempre teve estreita ligação com Piracicaba e região. Fábio Vitti, se bem conto, é gerente regional do Ciesp e conselheiro titular da Fiesp e seu irmão, empresário, como ele, de prestígio).

David Chagas

É jornalista e professor.


 
 
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